domingo, 7 de novembro de 2010

A 40000 pés...

Há quem goste de ir pensar para a praia, enquanto observa o mar, ou sentar-se em longos relvados no meio da cidade caótica.
Eu não.
Estou a 40000 pés a sobrevoar a Groenlândia, sozinho na galley da frente, enquanto observo a cabine vazia, aproveitando o silêncio dos meus colegas no seu período de descanso.
Sabe bem fugir aos problemas e às vezes vejo os voos como essa fuga. Mas será saudável? Até que ponto é bom fugirmos dos nossos problemas e medos desta forma?
Os nossos medos, apesar de muitos serem fundamentados, não nos cortam uma parte fundamental da nossa vida? Seja sentimental, profissional ou de outra espécie. Já viram o que perdemos com o medo?
Estamos sozinhos e a nossa cabeça começa a viajar, a pensar em todos os caminhos à volta desse medo, o que poderá (ou não) acontecer, 'como é que vou ficar depois disso?', 'será que vale a pena?', 'não será muito cedo?'... Tudo nos leva à saída mais rápida e fácil que é fugir dos nossos medos! Eu tenho medos, toda a gente os tem, mas cabe-nos a nós enfrentá-los e seguir em frente. Pode acontecer o pior, mas também pode ser a melhor coisa que te aconteceu na vida.
Acabei de vir do cockpit, no meu check dos 30 min, está tudo sereno e o cockpit continua a ser o que sempre quis e também um dos meus grandes medos! E se, quando acabar o curso, ficar no desemprego, depois do dinheirão que foi pago pelo curso? Não vejo o emprego no cockpit como uma questão de sorte, mas como uma questão de timmings, e o meu foi péssimo. A culpa não foi minha, nasci foi 2 anos mais tarde. Há 2/3 anos houve o boom da necessidade de pilotos em Portugal e agora está completamente estagnado e quantos mais anos passam, pior, mas pilotos ficam no desemprego.
Outro dos meus medos é não encontrar a pessoa certa. Pensei que a tinha encontrado, mas pelos vistos não. O medo é uma coisa lixada e não só da nossa parte, mas o pior é quando afecta a dos outros e nós estamos tão self-centred que nem reparamos (ou não queremos).
Medos, todos temos, mas há que os enfrentar e acima de tudo, falar abertamente sobre eles. Quanto mais guardarmos para nós, pior é.

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